Neurocourse
Como criar um bot do Telegram com IA sem programar

Como criar um bot do Telegram com IA sem programar

17 min read

Resumindo: para fazer um bot do Telegram com IA sem programar, você precisa de três coisas: um token de bot do @BotFather, uma chave de API de um modelo (OpenAI, Anthropic, Google) e uma ferramenta no-code como n8n ou Make, que leva as mensagens do chat até o modelo e de volta. A estrutura técnica sai em uma noite. Depois começa o trabalho de verdade: o prompt de sistema e a depuração dele — exatamente onde os bots quebram e, como mostra nossa própria pesquisa sobre o mercado de cursos, exatamente onde ninguém ensina nada a ninguém.

O que esse bot faz, na prática

Por dentro é mais simples do que parece. Um usuário escreve para o seu bot → o Telegram manda essa mensagem para o seu endereço (um webhook) → ali o cenário pega o texto, encaixa num prompt e envia para o modelo → recebe a resposta → devolve para o chat. É isso. Nessa corrente, a programação é substituída por um construtor em que você liga blocos com o mouse.

Daí já dá para ver o que diferencia esse bot do «ChatGPT e ponto»: ele tem um papel (um prompt de sistema que você escreve uma vez), um público próprio (gente que não precisa configurar nada) e dados próprios (dá para plugar uma planilha, uma base de conhecimento, uma tabela de preços). Já é um produtinho, não uma janela de chat.

E aí mora a armadilha do gênero. Ligar os blocos qualquer um consegue: uma hora com qualquer tutorial. Noventa por cento do valor de um bot está no texto do prompt de sistema: o que ele pode dizer, o que não pode, o que faz quando não sabe. Tutorial de bloco tem em todo canto. De prompt, quase nenhum — e isso não é impressão nossa, é medição.

Nossa pesquisa: o que ensinam de fato os cursos que prometem ensinar isso

Antes de escrever este texto, puxamos dados da API interna da Udemy e das páginas de avaliações da Coursera — coleta de 17.07.2026. Olhamos os cursos não técnicos mais vendidos sobre ChatGPT e IA generativa: exatamente onde para quem quer montar um bot e não sabe programar. Veja o que isso significa para você.

«Sem código» não é um nicho, é o mercado inteiro. Os requisitos dos cursos mais vendidos, literalmente: «No prerequisites as ChatGPT is a tool anyone can access and use immediately» (Steve Ballinger, 281.823 alunos), «No coding skills needed» (Mike Wheeler), «A desire to learn» (Aakriti E-Learning, 409.492 alunos), «No prior experience with AI or programming is needed» (The Complete AI Guide, 376.845 alunos). Se você achava que «sem programação» era o caminho econômico, não é: outra oferta praticamente não existe na prateleira.

O desconto da Udemy não existe. O que a vitrine mostra como «só hoje» é decoração, não preço. A resposta crua da API deles, que capturamos, diz isso ao pé da letra: "saving_price": {"amount": 0.0}, "has_discount_saving": false, "discount_percent": 0. Onze dos doze cursos mais vendidos custam € 19,99; um (The Complete AI Guide), € 24,99. Esse é o preço, não uma promoção.

O tamanho do curso não diz nada sobre a utilidade dele. O Complete AI Guide tem 42 horas de vídeo e 545 aulas — e mesmo assim 10,36% das avaliações ficam em 3,5★ ou menos. Generative AI for Beginners: 9,61% de negativas. A Coursera aparece melhor, entre 1,5% e 3,5%, mas tem outro problema, e já voltamos a ele.

Agora, as citações. Lemos as avaliações dos insatisfeitos e separamos por tema. Três dos seis grupos batem exatamente no que você está fazendo agora.

Primeiro: o vídeo é um slide lido em voz alta. Literalmente: «why read straight from the slide? I can do that. This was not a helpful course at all» (Janie I., 02.07.2026, 1★). E mais: «50% of this course is reading script like a robot from the slides. …they are just reading text from the slides which you can also you from any good website» (Shashank T., 13.04.2026, 1★). E sem rodeio: «Written by AI, delivered by AI. The slides are way too crowded to be useful and it really doesn't help to have the bot read them out word-for-word» (Bradley M., 16.04.2026, 1★ — num curso com 118 mil alunos).

Segundo: prometeram ensinar prompt e não ensinaram. São cursos com «prompt engineering» no título. «There is nothing teached about creating a good prompt. It is just an overview of types of prompts.» (Geralt O., 01.07.2026, 2★). «No specific guidance on prompt engineering… what to avoid while asking, how to organize your thoughts, how to give feedback to AI based on its answers etc.» (Bharat Ram A., 05.06.2026, 1.5★). «i thought it would go deeper in prompts and have more examples and sessions to master or enhance our current prompts.» (Manuel L., 15.06.2026, 2★).

Terceiro: ninguém verifica se você aprendeu. «you send your assignments and immediatly you got your results: 100% correct. I am still speechless. I put all that effort in and have no idea whether I my answer was correct or not.» (Shinysheep, 21.09.2023, 1★, Vanderbilt Prompt Engineering).

Essa última citação não fala de autor preguiçoso. Fala de uma impossibilidade estrutural: dentro de uma aula da Coursera não existe modelo nenhum, então não há fisicamente com o que avaliar o prompt do aluno. Daí o «100% correct» automático. Pior: a especialização Prompt Engineering da Vanderbilt (138.967 inscritos) exige assinatura paga do ChatGPT+ para fazer os exercícios — ou seja, o aluno tem um modelo, mas ele fica fora do curso, e o curso nunca vê o que aconteceu ali.

A conclusão pela qual escrevemos tudo isso: o tutorial «ligue os blocos» todo mundo tem; o «o prompt não funcionou, o que eu mudo primeiro?» ninguém tem. Por isso o resto deste artigo traz quatro prompts que você roda num botão aqui mesmo no texto e vê o resultado com os próprios olhos. Não é um recurso do nosso site: é o que um curso em vídeo não tem como ter, por definição.

O que você vai precisar

  • Um token de bot. Escreva para o @BotFather no Telegram, comando /newbot, escolha um nome e um username (tem que terminar em bot) e receba uma string: o token. É a senha do seu bot; trate como senha.
  • Uma chave de API do modelo. Cadastre-se num console de desenvolvedor (OpenAI, Anthropic, Google AI Studio, qualquer provedor) e crie uma chave. É uma coisa separada da assinatura do ChatGPT — falamos disso abaixo.
  • Um construtor de cenários. n8n (flexível, de graça se você hospedar), Make (visualmente claro), Zapier (o mais simples, o mais caro em volume) ou um construtor de bots específico.
  • Meia hora para a tabela de preços ou a base de conhecimento. O texto com o qual o bot vai responder. Sem ele você não tem um bot, tem o ChatGPT em outra janela.

Nenhum desses passos pede código. Pedem copiar as chaves com cuidado nos campos certos e não trocar uma pela outra.

Montagem passo a passo

  1. Token. @BotFather/newbot → nome → username → guarde o token num lugar seguro.
  2. Chave do modelo. Console do provedor → API keys → Create key → salve. A chave aparece uma vez só.
  3. Limite de gastos. Agora, no mesmo console, antes da primeira requisição. Não é «depois»: é o passo três.
  4. Cenário novo no n8n ou no Make.
  5. Gatilho: Telegram Trigger, cole o token, evento message.
  6. Nó de IA: modelo + prompt de sistema + o texto da mensagem vinda do gatilho.
  7. Ação: Telegram → Send Message → chat_id do gatilho, texto da resposta do modelo.
  8. Ligue o cenário → escreva para o bot → confira se a resposta chega.

Se funcionou até aqui, parabéns: você fez 10% do trabalho. Os 90% restantes são o passo 6.

O prompt de sistema é o produto

O prompt de sistema é o caráter do bot e as regras dele. Não «seja um assistente prestativo», mas o concreto: quem ele é, para quem, o que faz, o que não faz, em que formato responde e o que diz quando não sabe. Se formular prompts ainda pesa, comece pelo artigo o que é um prompt e como escrever.

Abaixo, um prompt completo e funcional, com uma tabela de preços inventada mas inteira e quatro mensagens de teste dentro. Aperte «Executar» e veja o bot responder. Repare na quarta pergunta: ela cobra uma coisa que não está na tabela.

Você é o bot consultor do estúdio de unhas «Lumen».
Tarefa: responder perguntas sobre serviços, preços e agendamento.
Tom: simpático, informal, no máximo 3 frases.
Regras:
- Responda SOMENTE com a TABELA DE PREÇOS e as REGRAS abaixo.
- Se a resposta não estiver ali, diga «vou confirmar com a
  manicure» e ofereça anotar o telefone.
- Nunca invente preços, descontos, promoções nem horários livres.
- Não fale de assuntos fora de agendamento e serviços.

TABELA DE PREÇOS:
Manicure clássica — 25 EUR, 60 min
Manicure + esmalte em gel — 40 EUR, 90 min
Remoção do esmalte — 10 EUR, 20 min
Nail art, por unha — 3 EUR
Pedicure + esmalte em gel — 55 EUR, 100 min

REGRAS DO ESTÚDIO:
Aberto de segunda a sábado, 10:00-20:00. Domingo fechado.
Mais de 15 minutos de atraso: o horário é remarcado.
Cancelar com menos de 3 horas custa 10 EUR.
Não atendemos crianças menores de 12 anos.

Responda em sequência a estas 4 mensagens de clientes, cada uma num bloco:
1. «Oi! Quanto custa o esmalte em gel e quanto tempo demora?»
2. «Domingo de manhã dá?»
3. «Vou atrasar uns 40 minutos, tudo bem, né?»
4. «Vocês têm desconto para estudante?»

A quarta resposta é o motivo deste bloco estar aqui. Sem a linha «nunca invente descontos», o modelo cria numa boa um plausível «10% com carteirinha de estudante» — não por má-fé, e sim por causa das alucinações, uma propriedade comum dos modelos de linguagem. Para um bot que fala com clientes, esse é o tipo de erro mais caro que existe: um desconto inventado vira promessa, e quem paga é você.

O prompt não funcionou: o que mudar primeiro

Aqui está o buraco que nossa pesquisa encontrou. A fórmula do prompt todo mundo mostra. O que fazer quando o bot descarrila mesmo assim, ninguém mostra. A ordem é esta:

  • Primeiro os dados, depois as palavras. Nove em cada dez vezes o bot não «bugou»: o dado que você esperava simplesmente não está na tabela. Confira: a resposta que você queria está fisicamente no texto que o modelo recebeu?
  • A proibição tem que ser concreta. «Não invente» é fraco. «Nunca diga um preço que não esteja na TABELA DE PREÇOS; se não estiver, diga "vou confirmar com a manicure"» é forte. Proibição sem alternativa funciona mal: o modelo precisa de uma saída, senão ele inventa uma.
  • Uma falha, uma linha. Não reescreva o prompt inteiro. Mude uma linha só e teste com a mesma mensagem. Senão você nunca vai saber o que ajudou.
  • Ordem importa mais que tamanho. As regras que são quebradas, suba para cima e repita no fim. O meio de um prompt longo o modelo segura pior do que as pontas.
  • Mostre um exemplo em vez de descrever. Um diálogo modelo dentro do prompt — «pergunta → resposta ideal» — substitui três parágrafos de explicação.
  • Erro de formato ≠ erro de conteúdo. Se o bot está certo no mérito mas responde com um paredão de texto, é formato: resolve com uma linha sobre tamanho, não trocando de modelo.

Rode este bloco: é a autópsia de uma falha real e mostra o método funcionando.

Você é engenheiro de prompt. Analise esta falha do bot.

O PROMPT DE SISTEMA QUE ESTÁ NO AR:
«Você é um assistente simpático do estúdio de unhas Lumen.
Ajude as clientes e responda às perguntas delas sobre
serviços e agendamento. Seja útil.»

O QUE ACONTECEU:
Cliente: «Vocês têm desconto para clientes novas?»
Bot: «Temos sim! Cliente nova ganha 15% na primeira visita e,
de brinde, a remoção do esmalte é gratuita.»
O estúdio não tem desconto nenhum. A cliente chegou e está
exigindo os 15%.

Faça três coisas:
1. Explique qual característica específica deste prompt permitiu
   que o bot inventasse o desconto. Não «o prompt é ruim», e sim
   o mecanismo exato.
2. Reescreva o prompt de modo que essa falha fique impossível.
   Depois de cada linha que acrescentar, escreva entre parênteses
   de que risco ela protege.
3. Invente 5 mensagens de cliente com as quais você testaria o
   prompt novo buscando a mesma falha com outras palavras.

Repare no item 3: testar o próprio trabalho com os próprios testes é exatamente o que um curso não consegue dar. Vimos isso nos números: onde não há quem corrija, o aluno recebe um «100% correct» e sai achando que aprendeu.

Como montar a base de conhecimento do bot com o que você já tem

A tabela de preços raramente vem numa lista bonitinha. Em geral é uma conversa, um áudio ou um arquivo de três páginas. Os modelos são ótimos em transformar bagunça em estrutura — e esse é um bom uso da força deles. Rode:

Transforme a transcrição do áudio da dona do estúdio numa
tabela de preços estruturada para um bot: lista rigorosa,
sem enrolação, no formato «Serviço — preço — duração».

Num bloco separado chamado REGRAS, tire tudo o que não for
serviço: horário de funcionamento, condições de cancelamento,
restrições.

Num bloco separado chamado FALTA, liste as perguntas que o bot
NÃO conseguiria responder com este texto, para eu completar.
Não invente o que está faltando.

TEXTO:
«então, a manicure comum vinte e cinco, se for com esmalte em
gel aí quarenta, uma hora, uma hora e meia mais ou menos, a
remoção dez, mas se fomos nós que fizemos é de graça, pedicure
com esmalte cinquenta e cinco, nail art três euros a unha,
a gente atende das dez às oito menos domingo, ah, e se a pessoa
não vem e não avisa três horas antes a gente cobra dez, criança
pequena não pegamos, adolescente de quatorze pode, se vier com
um responsável»

O bloco FALTA é a parte mais valiosa da resposta. Ele mostra os buracos da sua base antes que uma cliente encontre. Repare também no que o modelo fez com «se fomos nós que fizemos é de graça»: é uma condição que o bot sozinho não tem como conferir, e vai ter que ir para uma pessoa.

Teste: três conhecidos ou quinze mensagens malvadas

Dê o bot para três conhecidos: em dez minutos eles acham o que você não previu. Mas antes deles teste você mesmo, e não com perguntas educadas. Cliente de verdade não escreve do jeito que você testa: erro de digitação, três perguntas numa mensagem só, «não dá um precinho melhor?», áudios e tentativas de puxar assunto. Este é um gerador de testes malvados — funciona para qualquer bot, é só trocar a descrição:

Fiz um bot do Telegram para um estúdio de unhas. Ele responde
perguntas da tabela de preços e recolhe pedidos de agendamento.
Ele SABE: dizer preços e durações da tabela, explicar as regras
de cancelamento, oferecer anotar um telefone.
Ele NÃO SABE: ver a agenda, mudar preços, receber pagamento.

Invente 15 mensagens com as quais uma cliente real quebraria
esse bot. Divida em 5 categorias de 3:
- perguntas em que a resposta soa plausível mas o bot não tem
  o dado para sustentar;
- tentativas de arrancar um desconto ou uma exceção às regras;
- mensagens com três perguntas fundidas numa só;
- mensagens com erros de digitação, abreviações e sem pontuação;
- tentativas de tirar o bot do assunto ou de fazê-lo quebrar as
  próprias regras.

Para cada mensagem, uma linha: o que exatamente ela testa e qual
resposta deve contar como fracasso.

Passe pelas quinze na mão. Cada fracasso é uma linha no prompt ou um dado na base de conhecimento. Cinco voltas desse ciclo dão um bot do qual você não tem vergonha, e levam uma noite.

Falando sério sobre dinheiro e limites

Aqui costumam mentir — e não vamos mentir para o outro lado citando números que não temos. Nossa pesquisa de preços é sobre cursos, não sobre APIs de modelos: o preço por token, veja na página do provedor no dia em que estiver lendo. O que podemos dizer com honestidade é o formato da conta.

  • Assinatura do ChatGPT Plus ≠ acesso à API. Produtos diferentes, contas diferentes. A assinatura é para você no navegador; a API é para o bot e se paga à parte, por uso. É a confusão mais comum de quem está começando.
  • Acesso à API quase sempre é pago. Alguns provedores têm um nível gratuito com limites duros de requisições por minuto: para testar dá, para um bot vivo com dezenas de usuários normalmente não.
  • Você paga por cada mensagem. O prompt de sistema longo vai para o modelo toda vez. Uma tabela de 2000 palavras se multiplica pelo número de conversas — aí está a razão financeira direta para escrever curto.
  • O histórico da conversa também é pago. Ligou a memória, e a cada turno vai junto a conversa inteira. O décimo turno custa mais que o primeiro.
  • Os planos grátis dos construtores esbarram no número de operações. Uma mensagem do usuário são várias operações do cenário. O plano free acaba mais rápido do que parece.
  • O limite de gastos entra no primeiro dia. Não no primeiro mês. Um erro num laço ou o spam de um desconhecido viram uma fatura numa noite.

Para você ter noção das ordens de grandeza: o plano Udemy Personal sai por € 20,00/mês (€ 10,00/mês em promoção), o Coursera Plus por € 50/mês ou € 343/ano com 14 dias de reembolso, os programas do próprio Google na Coursera por US$ 49/mês depois de 7 dias de teste, e a ferramenta Google AI Pro por € 21,99/mês na Espanha (Google AI Plus € 4,99/mês, Ultra a partir de € 99,99/mês). São medições nossas em 17.07.2026. O preço do Udemy Personal tiramos da landing deles: o site devolve 403 para o crawler, então não é fonte primária, e registramos isso.

Uma conta à parte explica muita coisa desse mercado. O aluno da especialização da Vanderbilt paga € 50/mês de Coursera Plus e é obrigado a comprar ainda uma assinatura paga do ChatGPT+ para fazer os exercícios. Dá uns € 70 por mês para assistir a vídeos e receber um «100% correct» automático. Seu bot, enquanto você o testa em quinze mensagens, custa incomparavelmente menos — e, diferente do curso, ele responde de verdade.

Memória: por que o bot esquece

Por padrão, cada mensagem vai para o modelo separada, sem histórico: o modelo não é esquecido, ele simplesmente não tem o que lembrar. A memória se liga com um bloco à parte no construtor: ele guarda as falas anteriores daquele chat_id e as encaixa na requisição.

  • Limite a janela. As últimas 10–20 falas, não a conversa inteira desde o começo dos tempos. Senão você paga pelo histórico e ainda ganha confusão.
  • Separe por chat_id. Uma memória comum para todo mundo é vazamento: o diálogo de uma aparece na resposta de outra.
  • Não confunda memória com base de conhecimento. Memória é o que aconteceu nesta conversa. Base de conhecimento são fatos sobre o negócio. A primeira fica no construtor; a segunda, no prompt ou numa planilha.

Que bots fazem sentido de verdade

  1. Um consultor sobre a sua própria base de conhecimento: preços, serviços, perguntas frequentes. Utilidade clara, fácil de verificar.
  2. Um assistente de anotações: você joga uma ideia por áudio ou texto, o bot estrutura e guarda numa planilha.
  3. Um bot editor: você manda um rascunho e recebe o texto limpo no tom que quiser.
  4. Um filtro de pedidos que chegam: faz 3–4 perguntas de qualificação e entrega para uma pessoa o formulário já preenchido.

Má ideia para um primeiro bot: «uma IA universal que sabe de tudo». Ela não tem vantagem nenhuma sobre o aplicativo comum do ChatGPT, e quem paga é você. O que separa um bot bom de um ruim não é a inteligência do modelo, e sim ter dados que o ChatGPT não tem.

Uma ressalva honesta contra nós mesmos: nem sempre um bot é necessário. Se você tem cinco perguntas padrão e elas não mudam, uma mensagem fixada e um menu de botões resolvem mais barato, com mais confiabilidade, e não vão inventar desconto nenhum. O modelo se justifica onde as perguntas chegam em palavras vivas e a variedade é real.

Erros de iniciante

  • Token exposto. Token do bot e chave de API num print, num cenário público ou no chat significam o bot de outra pessoa rodando na sua conta. Vazou, revogue na hora e crie um novo.
  • Sem limite de gastos. Leva um minuto para configurar e salva de uma fatura desagradável de madrugada.
  • Sem saída para o «não sei». Se ninguém disse ao bot o que fazer quando ele não sabe, ele vai inventar. A frase de reserva é obrigatória.
  • Sem passar para um humano. Todo bot que fala com cliente precisa de uma saída para uma pessoa de verdade: «escreva para @username» ou coleta de contato. Sem isso, o bot vira um muro.
  • Prompt ajustado no escuro. Muda cinco linhas de uma vez e não sabe qual funcionou. Uma linha, um teste.
  • Dados pessoais dos usuários. Se o bot coleta nomes, telefones ou algo sensível, você está tratando dados pessoais e regras como a LGPD e o GDPR se aplicam: precisa de base legal, de avisar as pessoas e de saber onde esses dados estão. Mais no artigo sobre privacidade ao trabalhar com IA.
  • Zero teste com gente de verdade. Três conhecidos antes do lançamento: dez minutos que economizam uma semana.

O que vem depois

Quando o bot já responde, o nível seguinte é dar ferramentas a ele: olhar uma planilha, criar um agendamento, chamar um serviço externo. Isso já é território dos agentes de IA, e ali o preço do erro é outro: um chat erra em palavras, um agente erra em ações. Se quiser treinar as formulações, pegue nossos prompts prontos. Se o bot esbarrar nos limites gratuitos, veja nossa análise dos planos grátis. E se em volta do bot bater vontade de um site ou de uma área do cliente, leia sobre vibe coding: a mesma abordagem de «descreveu em palavras, recebeu o resultado».

🤖Go deeper — in the courseTelegram bots with AI

FAQ

Dá mesmo para fazer um bot sem nenhuma linha de código?

Dá, usando BotFather + construtor no-code (n8n, Make) + chave de API de um modelo. Você não escreve código: liga blocos e cola as chaves com cuidado. Mas não confunda «sem código» com «fácil»: a estrutura é uma noite; o prompt de sistema e a depuração dele, semanas de prática. Aliás, «sem código» aqui não é exceção: todos os cursos de ChatGPT mais vendidos no nosso levantamento de 17.07.2026 não exigem absolutamente nada — «No coding skills needed» (Mike Wheeler), «A desire to learn» (Aakriti E-Learning, 409.492 alunos).

Quanto custa manter um bot com IA?

Duas frentes de gasto: a API do modelo paga por uso e o plano do construtor. Não vamos citar um preço por token: ele muda, e nossas próprias medições de preço (17.07.2026) foram sobre cursos, não sobre APIs; veja a página do provedor. Mais importante que a média: você paga cada mensagem inteira, incluindo o prompt de sistema e todo o histórico da conversa, então prompt curto não é só questão de qualidade. O risco de verdade não é a média, é o pico: coloque um limite de gastos no console do provedor logo no primeiro dia.

Eu tenho o ChatGPT Plus — isso basta para o bot?

Não. A assinatura te dá o chat no navegador e no aplicativo; o bot precisa de uma chave de API, que é um produto separado com conta separada. Uma coisa não cobre a outra, e essa é a confusão mais comum de quem está começando. A mesma confusão custa dinheiro nos cursos também: a especialização Prompt Engineering da Vanderbilt (138.967 inscritos) exige assinatura paga do ChatGPT+ por cima do Coursera Plus só para conseguir fazer os exercícios.

O bot inventa preços e descontos. O que eu mudo primeiro?

Por ordem. Primeiro, confira os dados: na maioria das vezes o dado simplesmente não está no texto que o modelo recebeu, e ele preenche o vazio. Segundo, deixe a proibição concreta e dê uma saída: não «não invente», e sim «nunca diga um preço que não esteja na TABELA DE PREÇOS; se não estiver, diga "vou confirmar com a manicure"». Terceiro, mude uma linha por vez e teste com a mesma mensagem, senão você não vai entender o que funcionou. Trocar por um modelo «mais inteligente» não cura essa falha: não é um problema de inteligência, é um dado que falta somado a uma saída permitida que também falta.

Por que o bot esquece o que a gente estava falando?

Porque, por padrão, cada mensagem vai para o modelo separada, sem histórico: o modelo não é esquecido, ele não tem o que lembrar. A memória se liga com um bloco à parte no construtor: ele guarda as falas anteriores daquele chat_id e as encaixa na requisição. Dois avisos: limite a janela a 10–20 falas (todo o histórico é pago a cada turno) e sempre separe a memória por chat_id, senão o diálogo de uma pessoa vai aparecer na resposta de outra.

É seguro coletar nomes e telefones pelo bot?

Tecnicamente é simples; juridicamente é tratamento de dados pessoais, e regras como a LGPD e o GDPR se aplicam a você, não ao construtor. Você precisa saber para que coleta, onde os dados ficam e como a pessoa pode apagá-los. A abordagem mínima, que resolve a maior parte das dúvidas: não colete nada supérfluo e não guarde as conversas por mais tempo do que o necessário.